Macron e Trump juntos são sinal de acordo à vista? “Nas próximas semanas não”, até porque “o oportunismo está acima do transatlantismo”
Presidente francês deixa Washington sem promessa firme de apoio dos Estados Unidos ou mudança na posição de Donald Trump sobre a guerra na Ucrânia. Macron teve cuidado para não ferir o ego do seu homólogo americano. Nas votações da ONU, as placas tectónicas começam a virar-se e a mensagem para a Europa é cada vez mais clara
Com algum humor à mistura, o Presidente francês tentou a aproximação: duas figuras políticas que se encontraram várias vezes, mas cujo desencontro é agora mais palpável do que nunca. Emmanuel Macron tentou aproximar-se do seu homólogo americano, Donald Trump, mas desafiando-o, fazendo fact checking às suas incorreções, batendo o pé para defender a Ucrânia, de cuja soberania o seu interlocutor estará prestes a abdicar.
É um equilíbrio difícil: ouvir o Presidente dos Estados Unidos promover a narrativa de que a Ucrânia aproveitou o apoio americano na sua defesa contra a invasão em grande escala da Rússia, sendo agora tempo de receber o pagamento de volta, e não reagir mal. “Esta guerra custou-nos a todos muito dinheiro”, disse Macron a Trump e aos jornalistas. “E isto é responsabilidade da Rússia, porque o agressor é a Rússia.” Trump, aliado do invasor, interrompeu. “Só para que perceba, a Europa está a emprestar dinheiro à Ucrânia”, disse. “Recebem o dinheiro de volta.”
“Não”, sentenciou Macron, tentando amortecer o golpe ao americano, e colocando a mão sobre o seu pulso. “Para ser franco, pagamos 60% do esforço total… fornecemos dinheiro real, para ser claro.”
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